“Somos fortes. Temos postura firme porque sabemos o que queremos” Assessoria de Comunicação (ASSECOM)
24/10/2018

Já não é de hoje que as mulheres são protagonistas nos aspectos culturais, econômicos, profissionais e de desenvolvimento do país. Mas mesmo elas atuando em maior número no mercado de trabalho, em algumas áreas, como as das engenharias, elas ainda reivindicam espaço em ambientes acadêmicos e profissionais.

Na prática, o número de mulheres em cargos de nível superior ainda é menor em relação aos homens, mesmo elas sendo maioria. O salário delas ainda é menor também, ainda mais se a mulher for negra. A latente desigualdade, fruto de um passado em que a mulher era vista como complemento do homem, fez despertar a necessidade de luta pelos direitos femininos.

Apesar do fato de muitas pessoas confundirem o feminismo com o contrário do machismo, ou que as mulheres feministas lutam contra os homens, a batalha delas é pela igualdade de gênero e oportunidades, contra o patriarcalismo, pela liberdade individual e a livre manifestação de suas ideias e de seu corpo.

Para se ter uma ideia, em 2016 a palavra Emponderamento esteve entre as 10 mais procuradas no Dicionário Aurélio, em virtude de um despertar coletivo da sociedade diante do tema. Ele consiste, em linhas gerais, em uma consciência coletiva expressada através de ações para fortalecer as mulheres e desenvolver a equidade de gênero, tendo como principal motivação a mudança de paradigma, enfatizando que a mulher pode o que ela quiser.

Para apoiar o debate, a Assessoria de Comunicação entrevistou professoras e acadêmicas dos Cursos de Engenharia da UFN, as quais relataram os desafios profissionais enfrentados em um território ainda predominantemente masculino. Trata-se de uma contribuição para a busca comum de oportunidades, em que o gênero não deve ser o fator predominante para uma sociedade justa e igualitária.

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“Eu escolhi a profissão certa”

A acadêmica do Curso de Engenharia Ambiental e Sanitária, Letícia Andressa Richter, sempre soube que queria ajudar as pessoas com o seu trabalho, e entrou para a engenharia receosa sobre a escolha de sua profissão. Mas, logo no primeiro semestre, ela já sabia que tinha feito a escolha certa.

Atualmente no 8º semestre do curso, há um ano da formatura, Letícia explica ainda precisa explicar sua profissão, porque as pessoas confundem como a figura de um ambientalista, que trabalha aplicando multas nos locais. O engenheiro ambiental lida com assuntos relacionados ao meio ambiente, como a degradação e contaminação dos solos, tratamento de esgoto e destinação e disposição de resíduos sólidos, o lixo. Ela até fez uma breve apresentação para seus avós, que estavam tendo dificuldades em compreender a sua escolha.



Letícia também está cursando uma segunda graduação, em Agronomia, e pretende unir as duas áreas de conhecimento para futuramente trabalhar em uma maneira de produzir alimentos mais correta, que não danifique tanto o solo. Para ela, as mulheres estão conquistando o seu espaço em todas as áreas, deixando para trás o predomínio masculino. “Não existe mais aquela história de que a gente não pode, e hoje, cada vez mais a gente vê que as mulheres querem crescer, mostrar que podem fazer tudo aquilo que o homem faz e até mais. É um período de provação e teste, e temos que nos impor, mostrar postura, sermos firmes”.

O Curso de Engenharia Ambiental é um dos que mais recebe alunas mulheres, em relação as demais engenharias. Letícia estagiou em uma empresa de consultoria ambiental, e destaca que entre os funcionários e estagiários da empresa a maioria eram mulheres.




“A capacidade intelectual do profissional é o determinante” 

Formada em Engenharia Civil, a professora Juliane dos Santos Pinto, sempre gostou da parte da engenharia que envolve projeto, criação, desenho, a construção e desconstrução de algo. Hoje com 16 anos de profissão, ela reconhece que a presença das mulheres nos cursos é significativa, tendo em vista que a sua área de atuação tem como desafio a concorrência masculina, já que grande parte do trabalho está diretamente ligado a obras de construção e trabalho pesado.

Juliane estagiou durante três anos em uma obra de construção civil, e ao final da faculdade a professora foi para obras em estrada, em um estágio oferecido pelo DAER. Ela considera haver uma grande aceitação em termos de mulheres dentro das obras, mesmo ainda sendo um ambiente predominante masculino.



Entrevistas: Thayane Rodrigues - estagiária de jornalismo. Fotos e edição: Assecom.

Saindo da graduação, já empregada em uma das empresas em que atuou, a docente se considera com sorte, pois sempre procurou se mostrar íntegra e firme, e por consequência, sempre se sentiu respeitada. “Não adianta escolher uma profissão mais feminina, se o que eu quero é a engenharia. Falo sempre para as alunas terem força, porque você tem que ser feliz. Quando criança eu preferia brincar de caminhão com caçamba e terra, montar de desmontar. Sempre fui “diferente”, mas meu sonho me trouxe até aqui”, acredita a professora, mãe de uma menina de 11 anos.

A docente observa que apesar de suas boas experiências na área da construção civil, ela acredita que ainda exista uma certa dificuldade do homem lidar com a mulher. Muitas vezes, a engenheira fica encarregada de gerenciar a obra, tendo que lidar com o mestre de obra e os pedreiros, às vezes mais de 20 homens, e uma única mulher.

Juliane ressalta que nesses casos, além de tudo o que foi trabalhado durante a graduação, é preciso estar aberto para aprender com aqueles que carregam experiência de vida prática. E a soma dessas ações, junto com uma boa postura, resulta em respeito mútuo, e consequentemente, um bom ambiente de trabalho.

Dentro da Engenharia Ambiental, a professora trabalha com a parte de solos, sistemas de esgoto e drenagem urbana, além de toda a parte de projeto e desenhos. Em sala de aula, ela busca relatar suas experiências sempre que pretende incentivar suas alunas, pois para Juliane, o mercado de trabalho e concursos estão absorvendo ambos os gêneros, a decisão depende da capacidade intelectual do profissional.

Outra particularidade dos cursos de engenharia da UFN são as bancas de estágio que acontecem no final do semestre, onde há um momento de feedback entre empresa, acadêmico e instituição de ensino. Na ocasião, um representante da empresa vem até a Universidade para falar sobre o desempenho do estagiário, e a professora Juliane se sente orgulhosa por ver que as suas alunas estão profissionalmente sendo bem-sucedidas, sendo recebidas dentro das empresas, deixando de lado a questão de gênero.


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