Professores da UFN têm projetos de pesquisa aprovados junto ao CNPq Assessoria de Comunicação (ASSECOM)
26/12/2018

Projetos de pesquisa desenvolvidos por docentes da Universidade Franciscana foram aprovados na Chamada Universal, edital do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Este edital é um dos mais conhecidos do CNPq, que apoia projetos de pesquisa científica, tecnológica e de inovação em qualquer área do conhecimento.

Os projetos contemplados são coordenados pelos professores Alencar Kolinski Machado, Aline Ferreira Ourique e Michele Rorato Sagrillo, docentes vinculados ao curso de Biomedicina e ao Programa de Pós-graduação em Nanociências da UFN. Eles foram selecionados dentro da Faixa A, que concede até R$ 30 mil em auxílio para as pesquisas. Conheça cada uma delas abaixo:


Óleos essenciais para o tratamento de parasitose

A proposta da professora Aline Ferreira Ourique é uma formulação de base nanotecnológica para tratar uma parasitose que atinge ovinos, pois sabe-se que o Rio Grande do Sul é o maior produtor nacional de ovelhas, uma atividade de grande importância econômica para o Estado.
Segundo ela, quando o ovino é atacado pelo parasita, os fármacos utilizados no tratamento costumam não surtir o efeito desejado, devido ao uso indiscriminado do mesmo, que faz com que o animal fique resistente a ele.

A pesquisa busca trabalhar com compostos de origem natural, como o óleo essencial de capim limão, e eucalipto. A primeira parte deve ser realizada in vitro, com larvas e ovos do parasita, para avaliar a eficácia do óleo. A pesquisa busca, também, avaliar a segurança das formulações quando em contato com as células sanguíneas do ovino, pois há uma preocupação com a qualidade de vida do animal após o tratamento.

Coordenado pela professora Aline Ourique, a pesquisa conta com alunos de iniciação cientifica dos cursos de Biomedicina e Farmácia, e, também, alunos do Programa de Pós-graduação em Nanociências. Além dos estudantes, a professora conta com a colaboração da docente Michele Rorato Sagrillo para a realização dos ensaios, e com o grupo de pesquisa da professora Silvia Gonzáles, da UFSM. 

A UFRGS e a Unipampa de Bagé também devem colaborar para a caracterização apurada da formulação, visando a qualidade e eficácia do produto.

“Termos sido aceitos nesse edital é um reconhecimento do que viemos fazendo, pois eles avaliam também o professor, e é muito bom que o pessoal de fora possa ver tudo que está sendo feito por aqui, por isso ter três projetos aprovados na Universidade é importante, pois retrata a qualidade das pesquisas feitas”, observa Aline.


Extrato do açaí como alternativa natural no tratamento da bipolaridade

A pesquisa do professor Alencar Kolinski Machado segue a linha de alguns pesquisadores que vêm buscando entender melhor como as doenças neuropsiquiátricas se desenvolvem e evoluem e, também, tentam desenvolver novas alternativas de tratamento para tais doenças. 

Segundo Alencar, já está em desenvolvimento na instituição um outro projeto de pesquisa, onde se está avaliando o potencial do extrato de açaí para reverter a neuroinflamação. A pesquisa que foi aprovada pelo CNPq tem como foco o açaí como potencial alternativa natural para a reversão de problemas sofridos por pessoas acometidas com o transtorno bipolar, pois sabe-se que estas possuem alterações nas mitocôndrias, que são estruturas responsáveis pela produção de energia das nossas células, bem como podem possuir inflamação crônica cerebral. 

No projeto de pesquisa intitulado "Produção de Nanoformulações de Extrato Hidroalcoólico de Açaí (Euterpe oleracea Mart.) para Normalização da Disfunção Mitocondrial e da Inflamação Crônica Associada a Doenças Neuropsiquiátricas", se pretende aumentar ainda mais o efeito do extrato do açaí, utilizando a nanotecnologia. Para isso, serão realizados vários testes experimentais utilizando neurônios para a comprovação da hipótese.

O projeto conta com um grupo multidisciplinar de pesquisadores da instituição, incluindo Patrícia Gomes, Michele Rorato Sagrillo, Larissa Schaffer e Luis Peroza, bem como pesquisadores de outras universidades nacionais e internacionais, pois atualmente o professor Alencar está no Canadá. 

“Acredita-se que através deste projeto se possa integrar alunos de graduação e pós-graduação, além de fortalecer a internacionalização em pesquisa e colaborar com o progresso do meio científico”, ressalta Alencar.


Óleo de tucumã no tratamento da doença de Alzheimer

A pesquisa da professora Michele Rorato Sagrillo está relacionada ao tratamento da doença de Alzheimer, e surgiu a partir da preocupação com a doença ter sido considerada uma epidemia, em função da expectativa de vida das pessoas estar aumentando. O tratamento existente hoje, repara o déficit cognitivo e de memória, e muitas vezes retarda o desenvolvimento da doença, mas em contrapartida, tem uma toxicidade muito grande para o paciente, que resulta na não-fidelização do mesmo com o tratamento, além do fato deste ser muito caro.

“Como a nanociências está em ascensão, e que tem intuito interdisciplinar, muito voltada a essas patologias, tanto para o diagnóstico, tratamento, e até mesmo para a prevenção, pensei em propor algo para tentar uma fórmula terapêutica mais barata, acessível e que também tenha esse cuidado com o retardamento dos sintomas, e que proporcione uma melhor qualidade de vida ao paciente”, observa Michele.

A pesquisa pretende trabalhar com o óxido de grafeno, uma oxidação química do grafite, que possui a capacidade de manter a barreira hematoencefálica aberta para que os medicamentos administrados por via oral atinjam o sistema nervoso central. A pesquisa também vai trabalhar com o óleo de tucumã, um fruto da Amazônia que tem capacidade neuroprotetora, capaz de diminuir o processo inflamatório que a doença provoca no cérebro do paciente.

O trabalho é dividido em três partes, a primeira, uma simulação computacional para verificar a afinidade das substâncias a serem utilizadas na pesquisa com as com as proteínas da barreira hematoencefalica, e com as proteínas que causam a perda de memória. A segunda parte da pesquisa será realizada in vitro, com neurônios humanos, onde serão feitos os primeiros testes com os compostos naturais.

A terceira e última parte da pesquisa será o teste em animais, onde será utilizado um modelo animal que é manipulado geneticamente para produzir o emaranhado dos neurônios acometido pelo mal de Alzheimer.

A pesquisa conta com a colaboração dos professores Alencar Kolinski, Ivana Zanella, e Cristiano Rhoden, além de contar com o Programa de Pós-graduação em Nanociências, e a UFSM, para os testes com animais.

“Essas parcerias são importantes pois precisamos qualificar nossos trabalhos. Trabalhar sozinho é difícil, quando a gente se une, os trabalhos ficam enriquecidos, e é isso que a gente precisa hoje: trabalhos de qualidade para servir de referência para os alunos”, explica Michele.

Texto: Thayane Rodrigues / Estagiária Jornalismo
Imagens: Mark Braunstein / Assecom e Divulgação / Arq. Pessoal


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