Mulheres na Engenharia Biomédica Assessoria de Comunicação (ASSECOM)
01/11/2018

Resultado de muita luta por reconhecimento, todos os dias surgem novas conquistas que enchem o mercado de trabalho de esperança. Têm se tornado cada vez mais comum ver mulheres trabalhando em cargos até então não ocupados por elas, porque a sociedade as subestimava. Elas hoje fazem a segurança da população, projetam e constroem ambientes, fazem a gestão de empresas, empreendem e se tornam cada vez mais reconhecidas.

No entanto, um comportamento que ainda precisa ser extinto é a falta de incentivo para a mulher em determinadas áreas de atuação. A estudante Daniela Tiepo Gomes, diz que não foi incentiva a ser engenheira, mas escolheu o curso depois de ler uma reportagem da Revista Exame, que indicava engenharia biomédica entre as 10 carreiras mais promissoras até 2020.

Motivada pela oportunidade de transformação social, Daniela hoje cursa o 6º semestre de Engenharia Biomédica, e atua como voluntária do programa de iniciação científica, descobrindo-se apaixonada pela área de pesquisa. “Mesmo sendo uma área de atuação mais masculina, é preciso que a gente mostre que somos capazes”, declara. Quanto ao futuro, ela torce para que o curso seja bem difundido e reconhecido pelo país, mas teme pela falta de investimento, seja na área da saúde, tecnologia ou pesquisa.

Por enquanto, Daniela tem considerado seguir a carreira na pesquisa e docência, e defende. “Como mulher e engenheira eu gostaria de transmitir a importância da representatividade feminina nesse setor de atuação. Nossa visão de engenheira é para melhorar a vida das pessoas em sociedade”.




Engenharia como sentido de vida

Licenciada em Ciências Biológicas pela Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, a professora do curso de Engenharia Biomédica, Leyla Kräulich, conta que depois de se tornar mãe ela sentiu que precisava voltar a estudar. Foi então que após uma conversa com seu psicólogo, ela iniciou uma segunda graduação, em Engenharia Elétrica, para desafiar a si mesma a sair de sua zona de conforto. A professora, que tem dois tios que são engenheiros civis, ouviu que seria mais fácil se ela tentasse a engenharia química, mas como sempre achou o campo de atuação da área elétrica interessante, ela se manteve firme em sua escolha.

Em uma turma com apenas três mulheres além dela, Leyla revela ter se sentido um pouco desconfortável no início, pois em alguns momentos haviam professores mais velhos que ainda taxavam as mulheres na engenharia. Mas ela também ressalta que ao longo da graduação, e também do mestrado, essa sensação foi diminuindo, pois, os colegas e professores foram percebendo sua competência, e entenderam que na profissão não é o gênero que importa, e sim a dedicação e empenho do profissional.



Durante o mestrado, Leyla participou de um projeto de pesquisa e acabou permanecendo na área da docência. Ela deu aula no Colégio Técnico de Santa Maria, e lembra que no início, sentiu ter passado por um teste dos alunos quanto a confiabilidade de seu conhecimento, mas que essa situação foi breve, e o seu relacionamento com os alunos sempre foi bem tranquilo. Dentro da UFN, Leyla dá aulas para a Engenharia Biomédica em disciplinas relacionadas à elétrica, e destaca o bom relacionamento entre professoras e alunas, diante do incentivo e apoio, em sala de aula, e até mesmo durante o acompanhamento dos estágios.

A docente ainda destaca que é uma preocupação constante nas reuniões entre os professores das engenharias, é a identificação de problemas que envolvam a questão da inclusão, principalmente em casos, em que, durante o estágio, as alunas encontram dificuldades para se desenvolver dentro da empresa. “Eu me lembro de quando era eu no lugar delas, buscando conquistar o meu espaço e provar que era capaz, e por isso, sempre que possível buscamos ajudar as alunas a encontrarem uma área com a qual se identifiquem, e se sintam confortáveis para atuar”.




Leyla afirma que apesar das diferenças no tratamento, ela tem percebido que nos últimos tempos muitas de suas colegas estão conquistando seus espaços em empresas e indústrias por merecimento e competência. “O mais importante de tudo é que se você mostra que vais fazer o trabalho e que tem capacidade disso, eles acabam confiando, e esquecendo dos pré-conceitos”.

Texto: Thayane Rodrigues
Fotos: Mark Braunstein
Edição: Assecom


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