Estresse, mindfulness e qualidade de vida
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Estresse, mindfulness e qualidade de vida

Rogéria Lourenço dos Santos (Acadêmica do Curso de Psicologia – UFN)

Na correria do dia a dia, é comum ouvirmos e dizermos que estamos com pressa, que mal conseguimos nos alimentar, dormir e dar conta dos afazeres. Diariamente, ouvimos e falamos em estresse, cansaço, falta de sono e de qualidade de vida.

Conforme notícia publicada no Jornal A Tribuna, em 2015, o brasileiro é o segundo povo mais estressado do mundo de acordo com dados da International Stress Management Association (Isma – Brasil), perdendo somente para o Japão. Dados da pesquisa mostraram que 70% dos brasileiros sofrem com estresse, cujas causas foram atribuídas ao trabalho, a problemas financeiros, à violência e a relacionamentos interpessoais.

O estresse pode trazer sintomas como dores musculares, dor de cabeça, problemas de sono, problemas emocionais, aumento da ansiedade e pode levar o sujeito a ingerir álcool e usar outras drogas. Em um nível extremo, pode levar à exaustão mental e física, manifestando-se na Síndrome de Burnout (lê-se /bãrnáut/), que acomete 30% dos brasileiros, conforme dados da pesquisa mencionada.

Na contramão da correria, cada vez mais pessoas têm buscado formas de minimizar os malefícios do estresse a partir de métodos como a prática de exercícios físicos, comprovada, há tempos, pela Ciência, como redutora dos níveis de estresse, e da prática mindfulness ou atenção plena – técnica de meditação que exerce influência positiva sobre o bem-estar, a saúde e a felicidade, com apontam Williams e Penman (2015). Mindfulness “consiste em observar sem criticar e em ser compassivo consigo mesmo” (ibid., p. 13) e, comprovadamente, apresenta os seguintes benefícios: diminui a ansiedade, a depressão e a irritabilidade; melhora a memória e o vigor físico e mental; reduz índices do estresse crônico; reduz impacto de dores crônicas e fortalece o sistema imunológico (ibid.).

Para ilustrar, trazemos os passos da técnica da meditação de um minuto, de Williams e Penman (2015, p. 19), que foca na respiração e propõe que a atenção plena seja experienciada. Para que se alcancem os resultados mencionados acima, é necessário haver continuidade da técnica, tal como se faz com o exercício físico e a alimentação saudável. Cabe ressaltar, ainda, que a meditação não implica nenhum envolvimento religioso, mas simplesmente um método de treinar a mente. Além disso, a prática de mindfulness não requer posições específicas ou quaisquer outros recursos a não ser a contemplação no momento presente, a experiência atual por meio dos sentidos.


1. Sente-se ereto em uma cadeira com encosto reto. Se possível, afaste um pouco as costas do encosto da cadeira para que sua coluna vertebral se sustente sozinha. Seus pés podem repousar no chão. Feche os olhos ou abaixe o olhar.

2. Concentre a atenção em sua respiração enquanto o ar flui para dentro e para fora de seu corpo. Perceba as diferentes sensações geradas por cada inspiração e expiração. Observe a respiração sem esperar que algo de especial aconteça. Não há necessidade de alterar o ritmo natural.

3. Após alguns instantes, talvez sua mente comece a divagar. Ao se dar conta disso, traga sua atenção de volta à respiração, suavemente. O ato de perceber que sua mente se dispersou e trazê-la de volta sem criticar a si mesmo é central para a prática da meditação da atenção plena.

4. Sua mente poderá ficar tranquila como um lago – ou não. Ainda que você obtenha uma sensação de absoluta paz, poderá ser apenas fugaz. Caso se sinta irritado ou entediado, perceba que essa sensação também deve ser fugaz. Seja lá o que aconteça, permita que seja como é.

5. Após um minuto, abra os olhos devagar e observe o aposento novamente.


Embora possa parecer um exercício difícil, o simples de fato de focar a atenção no presente, utilizando nossos sentidos corporais, sem julgar o ambiente, os outros, nosso próprio corpo e a nós próprios traz relaxamento e sensação de plenitude. Sentir como é a roupa que vestimos, se leve, pesada, justa, folgada; comer uma fruta sentindo o cheiro, apreciando a cor, vivendo a mastigação de modo consciente; focar a atenção na respiração sem querer modificá-la ou julgar algum desconforto corporal são práticas que não requerem esforço, pois não exigem algo, apenas observação leve.

No contexto contemporâneo de imediatismo, desempenho e busca por reconhecimento, de conflitos políticos e sociais, perdemos muito o estilo de vida saudável para o estresse. Contudo, podemos resgatá-lo, por exemplo, por meio da prática de mindfulness como uma ferramenta sem contraindicação na manutenção do bem-estar pessoal e da qualidade de vida.

REFERÊNCIAS
BARRETO, Nathália. Brasileiro é o 2º mais estressado do mundo. A Tribuna, Vitória, ES, 30 abr. 2015. Disponível em: . Acesso em: 4 jun. 2017.

WILLIAMS, Mark; PENMAN, Danny. Atenção plena: como encontrar a paz em um mundo frenético. Tradução de Ivo Korytowski. Rio de Janeiro: Sextante, 2015.