A influência do PIBID no desenvolvimento educacional de Santa Maria
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O Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) é um programa da CAPES/MEC que incentiva estudantes de cursos de licenciatura plena para o planejamento e execução de atividades pedagógicas em escolas públicas de Educação Básica, aprimorando sua formação e contribuindo para a melhoria da qualidade dessas escolas.

Durante o PIBID, os bolsistas de iniciação científica vão para as escolas com o objetivo de vivenciar à docência dentro da graduação em licenciatura, se inserindo no espaço escolar, bem como estudando temáticas relativas à prática do ensino, e o exercício da profissão, utilizando práticas inovadoras e metodologias diferenciadas no ambiente escolar.

A professora do Curso de História da UFN, Janaina Souza Teixeira, que coordenou o PIBID da História de 2012 a 2017, atualmente é colaboradora em um subprojeto interdisciplinar composto também por professores dos cursos de História, Letras, Matemática, Filosofia e Pedagogia. Juntos, eles participam de um projeto institucional, onde semanalmente, os alunos bolsistas se reúnem para a troca de conhecimentos junto dos professores por eles responsáveis dentro das instituições de ensino básico.

Dentro da escola, o bolsista é supervisionado por professores que participam do projeto integrando os grupos de trabalho formados dentro do PIBID, participando das reuniões e auxiliando no planejamento e aplicação das novas metodologias propostas pelos alunos. Quinzenalmente, esses grupos interdisciplinares se reúnem com o professor colaborador, e discutem textos teóricos que, quando o aluno vai para a prática na escola, o incentivam a problematizar ambiente do universo escolar.

“Quando o bolsista vai para a escola, está lidando com algo novo, que vai além do ambiente acadêmico, cercado de professores, colegas e teorias. Na escola ele entra em contato com a vivência de cada um e lida diretamente com a comunidade, uma experiência social que enriquece muito. Isso mostra para o aluno que ser professor é algo que se compõe, mais do que o saber acadêmico, e mais do que a individualidade. É um saber que é coletivo”, observa Janaína.

A professora defende que o aluno que participa do PIBID tem contato com a profissão docente em sua especificidade, e que devido aos conhecimentos práticos adquiridos, pode definir com mais clareza os conteúdos à serem trabalhados, bem como diversificar suas fontes. Janaína também destaca que é possível perceber uma diferença entre o acadêmico que participa do programa, pois estes se tornam desinibidos e mais ágeis por conta da experiência.




Programas como o PIBID são muito importantes para alavancar a importância da licenciatura. Os alunos possuem uma inserção forte nas escolas, proporcionando um desenvolvimento teórico e prático diante da comunidade que eles atuam. “O importante do trabalho extensionista é em virtude da solidificação do aprendizado, ao ponto que o aluno tem contato com a realidade socioeconômica do país, que é tão desigual”, ressaltou o colaborador do PIBID de Filosofia, Márcio Cenci, considerando todo o processo de mobilização que ocorre na escola em maior vulnerabilidade social, dando um direcionamento pedagógico conforme a necessidade das crianças.

Quando se trata das escolas, Janaína observa que as instituições que recebem alunos do programa costuma ser um local que incentiva a formação continuada de seus professores. “O PIBID é um ingrediente importante dentro da escola, porque ele desacomoda, impacta, e os professores que participam começam a estudar mais, publicar mais, melhoram seu currículo”, destaca.

Analisando sobre os impactos que o programa de iniciação à docência tem nas escolas onde é aplicado o programa, a docente aponta que já é possível perceber uma diferença positiva. Isso porque, se tratando da época atual, a desvalorização da categoria dos professores é um dos principais motivos pelo qual a procura por cursos de licenciatura tem diminuído. “Apesar disso, nós temos alunos dentro do curso que foram alunos de bolsistas do PIBID. Eles participaram das ações propostas por eles, e vieram fazer História aqui por isso, eles viram nossos alunos lá e se inspiraram neles”, finaliza Janaina.

A diretora do Colégio Estadual Manoel Ribas, Rosângela Maria de Freitas, acompanhou a participação dos alunos do Curso de História da UFN que, com o auxílio de sua professora orientadora, foram responsáveis pela reestruturação e organização do memorial do colégio. Ela avalia que a parceria entre os iniciantes à docência da UFN e a escola é benéfica para ambos. “Nós montamos até mesmo uma sala para receber esses estudantes, onde eles pudessem se organizar e fazer parte desse projeto que resultou em um trabalho muito bom dos nossos alunos, em parceria com esses bolsistas. Eu acho que essa parceria é uma das maneiras mais eficazes de fazer com que o acadêmico conheça a realidade das escolas, ao mesmo tempo em que ele sai do seu contexto de rotina, e se insere no nosso. É um projeto que acrescenta muito, e eu já sinto falta deles aqui, já que este ano nós não temos nenhum aluno bolsista na escola”, observa a diretora.

A experiência enquanto bolsista do PIBID
O acadêmico de História, Julio Cezar Pires Júnior, foi bolsista do PIBID na Escola Estadual Manoel Ribas de 2015 a 2018, onde aplicou atividades que visavam à discussão de temas como patrimônio histórico, cultura local, identidade e preservação da história local. Ele lamenta não poder aplicar projetos que possibilitem trabalhar com todas as turmas da instituição, mas também destaca uma mudança significativa nos educandos envolvidos no projeto.

Julio salienta a importância de utilizar metodologias alternativas para o ensino da história, como a aplicação de filmes, dinâmicas e jogos, bem como atividades de cunho artístico que fomentem o interesse do aluno. Essa experiência se tornou importante na formação do acadêmico, pois ele avalia que foi devido à sua confiança adquirida enquanto bolsista, que ele se sente hoje preparado e confiante para assumir uma turma em seus estágios curriculares.




“Ter participado do PIBID elevou a qualidade da minha formação, pois me proporcionou o contato, desde cedo, com o ambiente escolar. Foi possível colocar em prática as metodologias e técnicas aprendidas ao longo da graduação e, por isso, o programa foi fundamental para minha formação como professor de História”.

O acadêmico de História, José Emanuel Martins da Silva, foi bolsista do PIBID na escola Augusto Ruschi, de 2015 a 2017, onde aplicou atividades lúdicas, como a construção de jogos didáticos, e teatros. Para ele, ter participado do programa foi fundamental na sua formação, não somente pela questão de estar inserido no ambiente escolar, mas pela vivência de ter descoberto como se expressar em sala de aula.

“Eu tive a oportunidade de acompanhar a primeira turma com quem trabalhei no PIBID, enquanto eles estavam na 8ª série, e hoje, no Estágio Curricular Supervisionado IV, encontrei com eles novamente, agora no 3º ano do Ensino Médio, e foi muito engraçado, porque deu pra ver que é uma turma que tem uma questão critica e reflexiva mais forte, eles tem contestações mais pontuadas, pegam textos e extraem varias ideias dali de dentro, e acredito que isso seja também pelo auxilio dos iniciantes à docência, pois estamos sempre buscando trazer essa pratica da reflexão para dentro da sala de aula.”

O acadêmico de Letras, Rubi Renck Pires, é bolsista do PIBID na escola Olavo Bilac, desde o início deste ano, onde aplica projetos para as séries iniciais, da pré-escola até o 5ºano, misturando português e pedagogia, visando a interdisciplinaridade, uma das exigências dos novos editais.

“A gente traz para os alunos toda a didática de como se cria uma história, e qual a importância da literatura e das histórias para a vivência e formação das crianças, enquanto alunas e cidadãs. A gente nota uma super-diferença a partir do retorno que eles nos dão, às vezes a gente faz uma oficina de criação de história e eles nos procuram e dizem que querem repetir. Eu acho que o PIBID é importante na formação acadêmica porque tu consegues observar se é esse campo mesmo que tu estás apto a atuar, pois ele expõe muitas reflexões acerca do que a gente, como futuro docente, precisa se adequar ao contexto dos alunos, social, emocional e psicológico, e isso possibilita que a gente reflita e se coloque no lugar do outro, antes de uma figura autoritária em sala de aula“.

Texto: Thayane Rodrigues / Estagiária Jornalismo