5 motivos para fazer licenciatura
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Diante do último ano do ensino médio, começam a surgir as dúvidas a respeito de que curso superior escolher. Alguns já sabem o que vão fazer desde sempre, e às vezes só descobrem após diversas tentativas. Outras vezes, inspirados nos bons exemplos que receberam de seus professores, os alunos decidem seguir a profissão, e então, precisam escolher entre a licenciatura e o bacharelado.

De maneira geral, as disciplinas dos cursos de ciências humanas possuem uma grade curricular bem parecida até o meio da graduação, isso porque os licenciados, além de cursarem as cadeiras teóricas de seu curso, ainda possuem algumas disciplinas obrigatórias voltadas à formação de professores, como didática e pedagogia, por exemplo. Quem escolhe a Licenciatura, depois de formado está habilitado a lecionar para o ensino fundamental e médio, em escolas públicas e particulares de todo o País.

Já o bacharel possui uma formação mais voltada ao mercado de trabalho, e por lei, não pode lecionar em escolas. Esse aluno vai ser preparado durante toda a graduação para se tornar um profissional da área que escolher, tendo contato com várias possibilidades dentro dela, e pode decidir com qual mais se identifica enquanto ainda está fazendo a graduação.


1. A matriz curricular integrada das licenciaturas da UFN

Em junho deste ano, o Conselho Universitário da Universidade Franciscana aprovou as mudanças nas matrizes curriculares dos cursos que compõem as áreas de Ciências Tecnológicas e Ciências Humanas. O coordenador do Curso de Filosofia, Marcos Alexandre Alves, destacou o Projeto Integrador que visa trazer estratégias interdisciplinares para as Licenciaturas, essa metodologia deve solucionar problemas práticos da sociedade, dinamizando de forma mais atrativa o processo de aprendizado do ensino. As licenciaturas, também vão abraçar as mudanças nas diretrizes nacionais, previstas pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), que demandam um professor que tenha mais conhecimento pedagógico-prático.

A partir de agora, 1/5 da matriz curricular dos cursos de licenciatura ofertados pela Universidade Franciscana, com exceção da Pedagogia, serão de disciplinas especificamente pedagógicas, voltadas a formação do aluno como professor, ressaltando, principalmente, as metodologias ativas. Já as disciplinas específicas de cada curso, passam a contar com um componente teórico-prático, totalizando aproximadamente 800 horas de prática dentro da graduação. Segundo a professora Valéria Iensen Bortoluzzi, do Curso de Letras, “essa mudança fez com que as licenciaturas se unissem através de uma matriz mais integrada, juntando os cursos com temas comuns para que possamos trabalhar todos juntos, e fortalecer a ideia da formação de professores”.




2. Os professores formam todas as outras profissões


A professora e mestre em Letras Português e Inglês, e também coordenadora pedagógica do ambiente de aprendizagem virtual da Universidade Franciscana, Valéria Iensen Bortoluzzi, conta que sempre soube que queria ser professora. Ela desabafa que, na época, a profissão era muito valorizada. Aos 13 anos, ela participou da modalidade de Ensino Médio que oferecia o Magistério, e teve que passar por uma seleção onde haviam 76 candidatos por vaga. Valéria foi uma das 40 classificadas, e “muito cedo descobri o quanto era bom lidar com a aprendizagem. Eu já adorava, desde muito pequena tinha isso comigo, tinha até um quadro negro em casa. Ia para a escola e ajudava meus colegas que tinham dificuldades de leitura e escrita, brincávamos de escola”, lembra a professora.

Atualmente, Valéria dedica sua carreira para formar outros professores, buscando passar adiante o sentimento de apreciação que sente pela profissão, pois “é quando vamos para a realidade das escolas que nos damos conta da importância dessa profissão. Ela muda a vida das pessoas, e foi isso que me fez acreditar cada vez mais nela”, ressalta. Para Valéria, ser professor é ser responsável pela formação de todas as pessoas, desde as séries iniciais, até o ingresso em uma instituição de ensino superior. É também ser aquele que ajuda, orienta e acompanha o aluno.

São os professores que trabalham e ajudam a desenvolver habilidades necessárias em diversas áreas de atuação, como os professores de matemática, que trabalham o raciocínio lógico, útil nas tarefas mais básicas, como negociar, por exemplo, “mesmo um empresário que nunca passou por uma formação superior, mas sabe fazer negócios financeiros, isso vem de habilidades trabalhadas por algum professor durante seu período de aprendizagem. Uma lição que a escola lhe trouxe, e que talvez ele nem se dê conta disso”, observa a professora Valéria.



3. A graduação torna o profissional melhor preparado para atuar no mercado de trabalho

Existe uma desvalorização do conhecimento, e ela atinge todas as profissões. Para a professora Valéria, a falta de professores formados não é culpa das novas tecnologias, mas sim da falta de conscientização sobre a importância do profissional em um mundo tão globalizado quanto o de hoje. Segundo ela, “quem se preocupa se vai ganhar pouco para não escolher uma licenciatura como primeira graduação precisa levar em conta que isso acontece com todos os cursos, são raras as exceções em que o profissional já sai para o mercado de trabalho ganhando muito bem”.

A grande diferença entre o professor licenciado e aquele que tem apenas sua experiência de vida como bagagem de conteúdo é a forma como ele vai transmitir esse conhecimento adiante. O profissional graduado passa por vários processos ao longo de sua formação, que lhe propõe uma experiência de aprendizagem e ensino prático nas escolas públicas, para que ao sair da sala de aula onde era aluno ele saiba como lidar com uma outra sala, onde ele será o professor. A partir do ano que vem, todos os cursos da Instituição vão passar por alterações na grade curricular, visando principalmente a interdisciplinaridade dos cursos.


4. Melhorias estão sendo feitas nos processos seletivos


Em outubro de 2017, o MEC anunciou um investimento de aproximadamente 2 bilhões para a reformulação da Política Nacional de Formação de professores e a criação da Base Nacional Docente, que vai nortear as matrizes curriculares dos cursos de licenciatura. Outra iniciativa anunciada na ocasião foi a ampliação do acesso à formação inicial e continuada de professores do ensino básico. Isso aconteceu pois há uma necessidade cada vez maior de educadores qualificados nas escolas, ao mesmo tempo em que as graduações em licenciatura estão passando por um período de baixa adesão.

Segundo dados oferecidos pelo próprio MEC, metade dos professores de matemática em sala de aula no país não possuem formação adequada, e em Português, esse percentual chega a 40%. Essas mudanças visam incentivar a docência, e para isso, a Política Nacional de Formação de Professores vai flexibilizar as regras para o preenchimento de vagas ociosas do ProUni – que já somam aproximadamente 20 mil vagas não aproveitadas. A previsão é de que a partir desse ano, os professores que queiram fazer a primeira ou uma segunda formação em cursos de licenciatura, poderão participar do programa de bolsas sem a comprovação de renda.

Além disso, também foi identificada a necessidade de melhoria na formação prática desses professores, que chegam em sala de aula pouco preparados para lidar com os alunos. Para atender à essa demanda, o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid) foi modernizado. O programa, que tem como convênio as redes públicas, visa melhorar a qualidade da formação prática através do acompanhamento periódico dos estágios supervisionados, feito pelas próprias Instituições, priorizando a experiência e a preparação prática.


5. O reconhecimento é a maior recompensa


Um dos principais motivos que fazem alunos se tornarem mestres são os bons exemplos durante sua formação. É o caso da egressa do Curso de Filosofia, Isis Zanardi, que afirma ter sido incentivada à docência por um professor, “ele me cativou e insistiu para que eu fizesse Filosofia, pois via um grande potencial em mim, e acreditava que eu viria a contribuir muito para a área”, lembra. Com isso em mente, em 2012, Isis ingressou na Licenciatura Plena em Filosofia, e acabou sendo novamente aluna do professor que havia a ajudado a escolher a profissão que gostaria de exercer.

Assim como quando era estudante, Isis também inspirou alguns de seus alunos, e um deles está, inclusive, cursando licenciatura em filosofia, e almeja seguir os passos de sua professora. Para ela, é preciso acreditar na profissão, mesmo que o cenário atual desencoraje aqueles que pensam na docência como área de atuação, “a gente deve lutar pela valorização financeira e educacional, e pela permanência das ciências humanas nas instituições de ensino, e isso deve começar comigo mesma, dentro da sala de aula”. Mesmo que pareça clichê, Isis defende que quem acredita no que faz, automaticamente se torna um profissional bem remunerado, pois a maior recompensa de um professor, é saber que seus ensinamentos mudaram a vida de alguém para melhor.

O egresso e professor mestre em História, Eduardo Dalla Lana Baggio, sempre teve em mente que gostaria de trabalhar com pessoas, e foi por isso que optou pela Licenciatura. Formado em 2007, ele convive e trabalha todos os dias com alunos do ensino médio e de cursinho preparatório, onde leciona e revela se sentir realizado em colaborar no processo que encaminha alunos para universidades. Eduardo acredita que uma das felicidades em ser professor é o reconhecimento de vários profissionais de diferentes áreas, que em algum momento passaram pela sua sala de aula, “acredito que sentir-se responsável pela formação de jovens no tempo presente, e cidadãos e profissionais futuros, cientes de seu papel para continuarem fazendo o melhor de si em seus campos de atuação, é algo mais do que recompensador” ressalta o professor de História.